A chegada do meu ano de caloira foi muito (talvez até
demasiado) antecipada, durante muito tempo, quando estava triste com a vida, ou
farta de alguma coisa, pensava para mim:
"Faltam X anos e Y meses
para a faculdade, já só faltam X anos e Y meses, X anos e Y meses..."
Essa linha de pensamento ajudou-me
bastante, até me acalmava, fazia-me sentir muito melhor comigo mesma e com o
meio em que me rodeava, porque eu sabia que, ao fim desse tempo, desses X anos
e Y meses, estaria na melhor fase da minha vida.
A ideia de todo o trabalho que teria para
fazer, das imensas noites sem dormir, e obviamente, do esforço de estar longe
de casa, sozinha, pela primeira vez, dos amigos que poderia vir a fazer,
aqueles que verdadeiramente levaria para a vida, de certa forma… fascinava-me,
pois sabia que, no meio desse desconhecido todo, me encontraria a mim própria.
Ainda não me encontrei verdadeiramente
mas sinto que estou mais perto do que alguma vez já estive
Como já disse anteriormente, a minha ideia
original era seguir Biologia Marinha (ou qualquer coisa de Biologia para ser
sincera), mas depois (ok, durante) da terrível guerra com a Física e Química no
11º ano, cheguei á conclusão de que… não poderia nunca na vida seguir Biologia.
Os cursos tinham muita Física, muita Química, e, conhecendo-me como me conheço,
sabia que não conseguiria fazer nada disso, ainda para mais, tive de mudar de
escola no 12º para ter biologia como cadeira opcional em vez de química, logo,
nunca mais na vida conseguiria fazer químicas orgânicas,inorgânicas, e
whateveres.
Quando cheguei a essa conclusão, o chão
fugiu-me dos pés, todo o futuro que tinha planeado para mim, desaparecera, e a
contagem decrescente continuava, "faltam X anos e Y meses
para a faculdade, já só faltam X anos e Y meses, X anos e Y meses..."
Não sabia o que fazer, para onde me virar, até que,
certo dia, fui “salva” pela blogosfera, vi uma blogger que dizia que tinha
estudado Marketing, pesquisei o que era, e percebi que era (digamos), a minha
segunda oportunidade de ser feliz, era algo que me via a fazer, que explorava o
meu “lado artístico”, e que, caso corresse mal, poderia ajudar-me com este blog
que ninguém lê e que já tenho desde Outubro de 2013.
Aveiro já me andava a ecoar na cabeça à algum, tempo,
e quando descobri que havia Marketing em Aveiro… foi ouro sobre azul. MAS, a física-e-química tinha deixado as suas marcas,
estragava-me a média de tal forma, que sabia que se entrasse, seria das últimas
colocadas.
Procurei alternativas, licenciaturas que depois me
permitissem tirar o mestrado em Marketing. E daí veio a ideia da Gestão, e, por
algum motivo, pensei em… Évora (cof cof, média, cof cof).
Imaginem, Laurinha, a vossa Açoriano-Vianense
preferida, no Alentejo.
Só o mapa mental tem piada.
E… deixei a ideia de Aveiro para o lado, porque sabia
que não entrava.
Simplesmente sabia.
Eu queria dizer que não, até porque a quantidade de
tempo que passei a conhecer Évora no Google Maps me criou uma afeiçãozinha pela
cidade, mas chorei bastante, os meus pais não gostavam da ideia, mas ao fim de
algum tempo, já estava mentalmente preparada para essa aventura
No dia em que saíram as notas dos exames, conheci uma
rapariga que ainda hoje levo no coração, que me disse uma coisa que acabou por alterar a minha vida, disse-me que eu podia ir para a pós-laboral, e
depois… trocar para a turma diurna. Nessa eu entrava bem, então… mudei as
minhas opções, porque dessa forma, já sabia que vinha para a Veneza Portuguesa,
a única questão seria o horário, mas… entrava. Garantidamente.
De repente, os X anos e Y meses passaram a ser apenas
Y meses, quando dei por ela, só faltavam W semanas, de repente, estava a dias,
do grande dia, saíram as colocações e…
Entrei, em pós-laboral, mas entrei.
Aveiro ia ser a minha nova casa.
Vinha para o curso que tanto queria, numa cidade por
quem me apaixonei no final do 10º ano, quando fizemos uma paragem rápida, na
vinda do casamento que tivemos em Sintra, fiquei tão feliz, que juro que vi
estrelas, o meu coração batia imenso com toda aquela emoção.
No dia a seguir ao dia das colocações, viemos logo
para Aveiro, arranjei logo um quarto muito bem localizado (na minha humilde
opinião), no dia a seguir foram as matrículas, e, posso dizer que, de certa
forma, foi ai que senti que o meu ano de caloira tinha começado oficialmente.
E o resto, é história, mas é uma que podem gostar de ler, daqui a bocado já vos conto tudo.
Com amor,
Laura
Caloira 66
P.S.-Só ia desabafar sobre este tema em Agosto ou em Setembro, depois do final definitivo do meu ano de caloira no nosso mágico Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Aveiro, mas por motivos de força maior, aqui estão os meus mais sinceros pensamentos.