By Laura Ávila - janeiro 31, 2018

Ao longo das minhas quase duas décadas de vida (cough cough, só faço anos em Junho, cough cough)  houveram diversas ocasiões, momentos e situações em que decidi que não serviria de nada expressar a minha opinião sobre diversos assuntos, por sentir que não tinha moral para falar dos assuntos em questão ou por achar que a minha opinião não adicionava nada à conversa.

Este é um desses tópicos, já queria escrever este post há imenso tempo, mas, como ainda não me sentia "no ponto", não me sentia confortável em partilhar estas coisas, no entanto, e como referi no post sobre o ano novo, 2017 foi para mim um ano de crescimento pessoal, enfrentei algumas das minhas inseguranças, aprendi de certa forma a aceitar-me como sou. E como estou bem disposta (dentro dos possíveis, viva o recurso), vou-vos falar das minhas inseguranças mais "profundas"/antigas/"marcantes", pois sinto que já aceitei/ultrapassei a maior parte delas.

Sempre tive noção de que nunca fui nem nunca serei mais do que os outros, nunca terei as melhores notas*, nunca serei a mais inteligente, nem nunca serei linda e maravilhosa ao ponto de fazer parar o trânsito (a menos que tenha de passar numa passadeira).

Como sempre tive noção dessas coisas, o meu subconsciente fez com que, durante muito tempo, estivesse sempre a dar um passo atrás e deixar os outros brilhar, o que fez com que me desvaloriza-se de uma forma que hoje não toleraria, fez com que sentisse que não merecia sentir-me bem comigo mesma, fez com que em diversas alturas sentisse que tinha que agradar aos outros, ao ponto de deixar que me magoassem, ao ponto de me distanciar das pessoas, por achar que não valia a pena tentar, a certa altura reencontrei pessoas que realmente gostavam de mim e queriam o meu bem, que ainda hoje me acompanham e levarei sempre no meu coração, mas mesmo assim, não conseguia ser verdadeiramente eu, não sei se foi por ter medo de rejeição, se por sentir que não merecia ser... tão Laura, não sei se estou a fazer sentido, mas era assim que me sentia. Quando vim para Aveiro, decidi ser como sempre quis ser, não resultou, descobri que a minha personalidade não era assim tão doce, e... a certa altura, talvez por me ter rodeado por pessoas mais positivas, realistas, verdadeiras, ou por ter enfrentado a maior parte dos esqueletos que tinha no armário, ou por estar longe de casa... a certa altura tudo mudou.
Percebi que não podia continuar a deitar-me abaixo, percebi que podia ter sonhos, que podia ser a minha própria pessoa, que me podia valorizar, que podia ser a melhor versão de mim, mesmo que essa versão seja a que, noutra altura considerasse a pior.

Percebi que tinha de me aceitar a mim, as minhas falhas, e aceitar os outros da forma que são, daí ter perdoado a maior parte daqueles que, ao longo da vida me fizeram mal,e de me ter perdoado a mim própria pelas vezes em que me deitei abaixo em vez de me valorizar pela maneira que sou.
Percebi que não tenho que ser igual nem a A nem a B, sou a minha própria pessoa. E, como tal, tenho de me aceitar e valorizar, da mesma forma que digo aos outros para se aceitarem e não esquecerem o seu valor. Tenho de viver as minhas experiências à maneira, com base nos meus princípios, e não como os outros vivem/viveram a sua vida.

Mas mais importante, comecei a aceitar o meu corpo pela maneira que ele é, o que foi difícil, custou muito, e ainda custa, mas (e vou voltar a dizer percebi mais um montão de vezes, mas é para dar ênfase ás tantas coisas que fui percebendo sobre mim com o passar do tempo) acabei por perceber e aceitar.

Percebi que a minha altura ligeiramente acima da média não significa nada, não me proíbe de usar saltos, nem de estar quem goste, independentemente da sua altura.
O meu nariz de papagaio não precisa de uma rinoplastia com urgência, pode parecer um nariz de bruxa quando me riu a sério, pode ser a parte mais prodominante da minha carinha laroca, pode ser horrível na hora de escolher óculos e irritante quando estou constipada, mas faz parte de mim, é o meu nariz. Eu aceito-o e as suas falhas.
Os meus ombros largos não são ombros de homem, são normais, são resultado da natação, são meus, são parte da minha história, mais uma vez, são normais (nem imaginam as vezes em que tenho de dizer isto a mim própria), tenho um grande problema com os meus ombros, é estranho, mas é verdade, nem consigo bem explicar.
As minhas cicatrizes são o resultado de uma infância boa, até as cicatrizes sem jeito nenhum, como a que tenho no cotovelo, da vez em que me espatifei enquanto estava a pôr a mesa, ou a da vacina que tenho no braço, e as outras aleatórias que tenho espalhadas um pouco por todo o lado.
Os meus joelhos gorditos (that's a thing) são provavelmente parte da minha imaginação e não deveria pensar muito neles, assim como a ideia de ter que tenho as pernas desproporcionais em relação ao resto do corpo, provavelmente é impressão minha e não significa nada.
As minhas estrias não reduzem o meu valor, estão lá porque cresci (em altura) demasiado rápido,  são parte da minha história, são parte de mim.
As marcas das borbulhas que tenho nas bochechas vão acabar por sair, mais cedo ou mais tarde, e não fazem de mim menos pessoa.

E se calhar as minhas opiniões e as minhas ideias valem alguma coisa, se calhar ser um nadinha diferente dos outros não é uma coisa assim tão má, se calhar ser "imaginativa" não é uma coisa má.

Se calhar... chega de se calhares.

De repente, comecei a perguntar a  mim mesma, o porquê de me tratar tão mal, o porquê de me pôr tão abaixo dos outros, o porquê de querer sempre o melhor para os outros, o porquê de me ter desvalorizado tanto, de me ver como não mais do que uma personagem secundária ou mesmo uma figurante na grande escala das coisas, na vida dos que me rodeiam, o porquê de achar que não merecia/mereço mais.
Não consegui chegar a nenhuma conclusão concreta, mas decidi que, durante algum tempo, me iria por a mim primeiro lugar, que me iria valorizar, porque afinal, sou a personagem principal da minha vida, posso enfrentar pessoas e situações independentemente de quais forem. Posso me ajudar a mim própria da mesma maneira que tento ajudar os outros.

Agora acredito que devemos gostar de nós próprios, que devemos abraçar a nossa individualidade, e que em nenhuma circunstância nos deveremos desvalorizar. Porque somos apenas nós podemos ser os heróis das nossas histórias, e isso, para mim, é a maior conclusão que consigo tirar desta jornada toda.

Amem-se, e sejam felizes 💖

Com amor,
Laura

*Aconteceu uma vez !!! No oitavo ou no nono ano houve uma vez em que tive a melhor nota da turma num teste de geografia,e fiquei tão contente !!! 
Nunca mais consegui repetir a proeza though.

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